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Rapper Shawlin lança disco e interpreta o cotidiano urbano com elementos poéticos

Escrito por Marcelo em . Postado em Músicas

Rapper Shawlin São Paulo, setembro de 2012 – O rapper carioca Shawlin, um dos fundadores do grupo Quinto Andar, retrata no segundo CD da carreira solo seu ponto de vista sobre grandes metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro, onde conviveu de perto com a desigualdade, injustiças sociais e fraudes políticas. O disco “Orquestra Simbólica”, lançado no começo de setembro pela internet, leva elementos do cinema, da literatura e da música clássica europeia à cultura marginal do rap, com letras que refletem sobre a influência da sociedade no perfil do ser humano. Além do processo criativo, Shawlin é responsável pela mixagem do CD, que conta com produção de Cabes, Caique, Damien Seth, entre outros. Com influências do rap americano e raízes no jazz e no funk, Shaw celebra seu estilo underground.

O álbum segue uma narrativa, conhecida como storytelling, e retrata a vida do homem moderno ilustrado pelo manequim que figura a capa do disco de 20 faixas. Esse personagem passa por momentos de ódio, fraqueza, revolta, amor, alienação e sofrimento que, no decorrer do álbum, compõem uma história. “Orquestra Simbólica” tem como essência a sobreposição, tanto situacionais quanto musicais. Não tem ordem cronológica e segue a dinâmica da vida, tão imprevisível... “A minha intenção foi usar a forma de ópera no universo hip hop, ou seja, aliar dramaturgia e música. Isso fica nítido nas faixas transitórias do disco, que explicam o contexto que está por vir e propõem reflexão”, completa o rapper.

A filosofia permeia as rimas do rapper que usa, entre outros, a teoria de Hannah Arendt para refletir sobre a democracia representativa, o “plurarismo” político e a revelação da essência do homem como formas de alcance da liberdade. São abordados ainda temas como o existencialismo, autoconhecimento, limitações do homem e liberdade de escolha. Como introdução de cada ato do álbum, Shawlin usa citações de filmes como “A Caixa”, de Richard Kelly, “Frankenstein”, de James Whale, e “Matrix”, dos irmãos Wachowski. Essas mensagens servem de guia à composição, explicando o sentido do que virá a ser apresentado. O caráter revolucionário do músico fica explícito ao longo do disco, que tem críticas ferozes à ordem sócio-político-econômica mundial, além derepreender atos de corrupção do Brasil, como esquemas de compra de votos de parlamentares, desvios de verbas e CPIs.  Com participação de Luiz Melodia na música “Algo Lindo”, Shawlin faz um arranjo de MPB e batidas fortes mescladas a scratches e colagens. Os beats desconstruídos de Shawlin, harmonizados à música erudita russa, compõem uma base sólida que ganha intensidade junto às rimas irônicas e truculentas características do trabalho do rapper.

A influência da música clássica veio da experiência de Shawlin como engenheiro de restauração de áudio. Nesta atividade tem contato, por exemplo, com obras do acervo russo disponíveis ao público desde 1991, quando seus direitos foram adquiridos por uma empresa americana. Após os direitos de gravação serem aprovados, Shawlin foi escolhido para o cargo de especialista em restaurar e qualificar o áudio dessas peças. Como um dos únicos conhecedores da técnica e perito no uso da aparelhagem necessária, Shaw teve contato com muitas obras importantes, algumas delas restauradas, remixadas e usadas em seu novo disco.

A força da mistura de música clássica e rap pode ser conferida, entre outras, na faixa “A Fé - Reza forte”, que conta com a participação de Black Alien. Segundo o músico, o álbum segue o formato de uma ópera, com ordem de acontecimentos em que, num primeiro momento, apresenta o homem em sua essência e, ao fim, mostra a corrupção que sofre pela sociedade. Além de buscar referências em outros estilos musicais, Shawlin evidencia suas raízes em músicos, como Talib Kweli por conta de sua sensibilidade poética e filosófica, Mos-Def e Sabotage na atitude e na defesa de ideias, Tupac e sua integridade ideológica, bem como a levada de Busta Rhymes e a espontaneidade de Black Alien. Atualmente, inspira-se em sons de seus contemporâneos Rodrigo Ogi, Xará, Rapadura, Flora Matos, Kamau, entre outros.

Conrado Costa Silva Vieira, conhecido como Shawlin ou mesmo Shaw, entrou no universo do hip hop aos 11 anos e aos 15 produziu suas primeiras músicas, uma delas publicada pela Trip Editora em 1999, na coletânea Zoeira Hip Hop.  No mesmo ano, montou junto a De Leve e DJ Castro, o Quinto Andar. Em 2002, o grupo concorreu ao Prêmio Hutúz, principal reconhecimento do rap nacional, na categoria Revelação, ao lado de Z’África Brasil, Jamal, Lito Atalaia e Sabotage, o contemplado da noite. Em 2005, após disponibilizarem diversas músicas na internet, o grupo lançou seu primeiro CD, “Piratão”, que foi indicado ao Prêmio Dynamite de Música Independente como Melhor Álbum na categoria rap. O disco reúne sucessos do hip hop nacional dos anos 2000, como “Melô do Vacilão”, “Esse planeta” e “A 1 passo do paraíso”.Finalmente, em 2007 lançou seu primeiro disco solo, "Ruas Vazias", com participação de consagrados rappers da cena carioca, como Funnk, Zé Bolin, Tapechu e Chapadão.

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Ficha técnica -
Orquestra Simbólica, de Shawlin
Gravação: Estúdio Noize 2F – Rio de Janeiro
Mixagem: Shawlin
Masterização: Ricardo Dias – Estúdio Visão Digital 
Projeto Gráfico: Felipe Primat
Fotos: Carla Arakaki
Ilustrações: Felipe Primat
Preço: R$ 15,00 a R$ 20,00
Onde encontrar: em todas as lojas da Galeria do Rock ou nos shows

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