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Rômulo Boca lança seu primeiro trabalho solo, a mixtape “Quando o Mundo Acabou era Meio Dia”

Escrito por Marcelo em . Postado em Músicas

Rômulo Boca lança seu primeiro trabalho solo, a mixtape “Quando o Mundo Acabou era Meio Dia”

Aguardada pelos fãs desde o primeiro anúncio, a mixtape “Quando o Mundo Acabou era Meio Dia” é um divisor de águas na carreira de Rômulo Boca. Natural de Crateús, interior do Ceará, apegado à leitura desde cedo, ele começou a compor porque sentia a necessidade de se expressar. QOMAEMD é o resultado de anos de trabalho e transmite fatos marcantes da vida do artista, mudanças pelas quais ele passou e acontecimentos que o tornaram uma pessoa mais forte e experiente. A mixtape foi lançada hoje (23) no youtube e soundcloud, e estará disponível nas demais plataformas de streaming a partir da próxima semana.

Participações

Ao lado de Lucas Félix e Wendeus, Rômulo forma o grupo A.L.M.A. (Arma Lírica Musical da Alma), criado em 2013. Ambos foram convidados, assim como Teagacê, Chinv, César Masthif, niLL e Isaac de Salú, para participar de algumas tracks. Os instrumentais são de Machion, Fernando Vários, Jay Beats, Cabine 808, Kriolão, Masthif, Ardlez, Tadela Sérgio Estranho e Rodrigo Zin, que também é um dos feats.

Capa

A capa da mixtape é uma fotografia de Rafael Vieira, com edição de Lucas Félix. A ideia de Rômulo a partir dela é que as pessoas consigam “criar” seus próprios conceitos de “caos” diante daquilo que conseguirem ver, sem precisar ser algo “óbvio” demais, mas que cada um observe a partir de sua própria visão.

QOMAEMD

O título faz alusão a um sonho no qual Rômulo disse a frase para a mãe, dona Francisca Cesário de Almeida. Segundo ele, foi uma resposta psicológica a morte dela, sendo que a perda dela lhe causou a sensação de fim do mundo.

“Hoje me sinto como alguém que vive em um mundo que acabou e esse sentimento veio com a morte da minha mãe. Ao mesmo tempo, sinto que me tornei alguém melhor após a morte dela, alguém menos irresponsável comigo e com aqueles que me cercam. Voltei a ter humildade, no sentido de ter pé no chão. Olho para mim e vejo o que represento, em que local estou, sem soberba, sem tirania, sem arrogância, entende? Isso fica evidente nas letras desse CD, fica evidente na odisseia que ele te leva”, explica o artista.

Dentre todas as faixas, uma das mais importantes é a homônima ao disco, um áudio de dona Francisca para Rômulo, o qual gostaria que o filho ouvisse em momentos que não estivesse bem, para “conseguir forças nas palavras deixadas por ela”. Ele acredita que isso foi uma das formas mais genuínas de amor deixadas pela mãe. Mesmo em uma cama na UTI, consumida pela doença, não deixou de pensar nele.

“Às vezes ouço esses áudios e choro, mas muitas vezes esses áudios me dão uma espécie de vigor, de energia locomotiva. Então, pensei, 'Bom, alguém vai precisar ouvir isso também para sentir a mesma coisa e sair do canto'. Ao mesmo tempo é uma forma de homenagear o que ela foi, tirar um peso, tirar um nó, sabe?”.

Evolução

Rômulo optou por incluir mais de 10 faixas na mixtape para não dar a impressão de algo limitado. “Tudo ali se amarra. O intuito é exercer a impressão de odisseia mesmo. Minha vida não é muito diferente da vida das pessoas que me ouvem. Penso que levando-as numa viagem assim, talvez elas se sintam menos sozinhas e eu também”.

Da primeira até a última faixa, é possível ver, ouvir e entender a evolução musical que foi causada propositalmente. Para ele, a mixtape tem um crescente. Começa numa ambiência muito baixa, bem melancólica e cresce de acordo com o andamento das faixas, vai crescendo, se tornando mais rápida, mais agressiva e mais positiva.

“Esse crescimento, esse desaforamento, começa com tracks mais densas, mais tensas, é proposital e se dá como um reflexo de odisseia e como reflexo da minha vida também. Como fui fazendo as coisas numa batida mais melancólica e me tornando mais rápido, mais agressivo, mais positivo, até chegar onde estou hoje”.

Música sempre me passou essa sensação, de não estar sozinho, de sentir que alguém lá fora sentia a mesma coisa, sei lá. Acho que tento de alguma forma me ligar com as pessoas a partir desse raciocínio. Sei que quem me ouve por muitas vezes se sente assim, também.

Patchs

O primeiro patch da mixtape foi feito para um extinto coletivo que tinha Bivolt, Eloy Polêmico, Félix, Xamã, Augusto Oliveira, Wendel, Leona e o próprio Rômulo como participantes. Ele quis reaproveitar para usar na mixtape, já que tem um significado. Acredita que a ideia é “poder sobre todas as coisas”, faz uma referência ao próprio logo.

“A chuva cai sob todos no mundo e ela não faz distinção de pessoas, não olha a classe social de ninguém. Ela exerce poder sob todas as pessoas e isso é uma referência a arte. A arte ela está sob as pessoas e tem poder sob elas. O olho que tudo vê também faz referência a algo que está acima de nós, algo sobrenatural. Deus. Independente da nossa crença. Faz também referência a música, já que ela tem um poder sobrenatural sob nós”.

Na concepção de Rômulo, a música transforma as pessoas, cura e faz elas reagirem, traz a emoção e o poder sob todas as coisas. Sempre passou para ele a sensação de não estar só e acredita que seus ouvintes por vezes podem se sentir assim também.

“Não é “eu Romulo” ter poder sob todas as coisas. É o ato de você poder sob tudo. Você pode sair do lugar. Você pode correr atrás do seu dinheiro. É o lance de você optar, de você poder decidir sob todas as coisas. Sobre sua autonomia de ir e vir, fazer o bem ou o mal. E aí a frase engloba isso. Poder sob todas as coisas”, explica.

Já o segundo patch, um coração rachado e um raio no meio dessa rachadura, dá a impressão de que é o coração rachado e dentro do coração uma eletricidade, uma energia. Para ele corações quebrados geram energia. Esse patch traz uma mensagem positiva, mesmo que a pessoa esteja em um dia ruim ou com o coração destruído.

“Por mais que você passe por uma má fase, muitas vezes essa dor é a energia que você tem para se locomover. Correr atrás do que precisa, mudar sua vida para obter uma melhora ou sair de uma situação desagradável. A dor nem sempre é um ponto negativo. A dor é aprendizado e tudo o que dói te ensina. Então, o significado do patch é esse. Você se mexer mesmo estando com o coração destruído. Passando por um momento ruim”.

Rômulo colocou tudo isso em prática por ser algo que sua mãe acreditava, além das adversidades que ele passou em 2018. “Perdi minha mãe, um emprego que eu gostava muito, vacilei com minha parceira, perdi o relacionamento com ela e tive um momento dificílimo. Trabalhei para mim, mas segui correndo atrás até tudo ter resolução e corrigir todos os meus erros. Os dois patchs têm vínculo com minha vida e com as coisas que faço. E os dois estão englobados na minha identidade visual a partir de agora”.

Mudanças

As mudanças vivenciadas por Rômulo deram o impulso necessário para que ele conseguisse se expressar de maneira única nessa mixtape. “Acho que eu e a música que faço somos a mesma coisa. Se eu mudo, automaticamente quero falar disso no que eu escrevo. É uma coisa natural para todo mundo. Então, toda mudança afeta a escrita. A escrita muitas vezes é a mudança sendo colocando em pauta. Tem muita coisa que a gente muda e não fala, só fala quando canta”.

Com o desenvolvimento de QOMAEMD, Rômulo quis se testar como artista. Com tracks que vão do plug ao metal, passam por boombaps de quatro tempos, músicas violão e voz, ele fez uma mistura das coisas que já ouviu e cantou, e pretende alcançar um público ainda maior.

Rômulo se antecipou e soltou algumas faixas da mixtape como single, a mais recente foi com o rapper paulistano niLL, “Multiverso”, produzida por Tadela e Sérgio Estranho. Após o lançamento oficial da mixtape, dia 23 de setembro, ele pretende lançar alguns clipes, fazer shows em São Paulo, onde reside atualmente, e fora do eixo, principalmente na Região Nordeste, onde estão fincadas suas raízes e para um futuro não muito distante, já pensa em um EP.

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