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Com referências a Aldous Huxley, Cassiano Cacique lança o clipe de “Soma do Dia”

Escrito por Marcelo em . Postado em Músicas

Com referências a Aldous Huxley, Cassiano Cacique lança o clipe de “Soma do Dia”

Qual a sua dose diária de escapismo? Esta é a questão levantada por Cassiano Cacique em seu novo single, "Soma do Dia", que narra o cotidiano de uma mulher como a maioria das brasileiras: uma trabalhadora assalariada que vive uma rotina de acordar cedo para fazer o que nunca sonhou para si, mas que precisa sobreviver.

Gravado em São Paulo e dirigido e editado pelo próprio artista, o clipe mostra a jovem pelas ruas da maior metrópole da América Latina num estado de total lisergia. A gravação teve participação especial de Davi Ribeiro, piloto principal de manobras com moto da equipe 26 da norte. 

“É um projeto que tive muito cuidado pra construir. Investi mais que recurso financeiro, investi a vida mesmo. Então, me preocupo com cada detalhe. Acredito muito no trabalho como música, poesia e conceito. Não é realização de sonho, não tenho essa ingenuidade e, talvez por isso eu me preocupe tanto com detalhes. Porque sei que é um trabalho sério, profissional e de muita qualidade”, conta Cassiano.

Referências

Soma nada mais é do que a "droga perfeita" criada por Aldous Huxley em “Admirável Mundo Novo”, escrito em 1931 e publicado no ano seguinte. Não é nenhum segredo a admiração de Cassiano pela obra literária do autor britânico, sua maior influência. O personagem “John, o selvagem” é quem guia o conceito artístico do pernambucano nascido em Recife, preocupado com a forma de vida automatizada de nossa sociedade atual.

"Fico fascinado por essa sensibilidade que Huxley tinha de construir uma percepção social, a partir de uma ação da máquina e, ser tão assertivo nessa construção. É isso que se acentua quando ele elege um salvador do caos social e esse salvador é um índio selvagem e alheio aos desejos da civilização. Um herói que salva o mundo com seu amor mais puro e genuíno.”

Poesia

Se a literatura o salvou, a poesia o despertou. Cassiano revela que mudou radicalmente após descobrir uma inusitada vocação para as artes através de um laço sanguíneo.

“Cassiano Cacique nasce de uma ruptura de percepções, de valores e de posicionamento. Quando descobri a obra e vida de meu avô paterno, resolvi romper com todas as convenções: emprego, casamento, círculos sociais... tudo deixou de fazer sentido, porque eu me via dentro de um sistema, adaptado roboticamente. Isso se deu em 2013, início de toda a crise política atual. Estava começando a militar com os índios da aldeia Tekoá aqui em SP e com isso tive uma visão mais selvagem e destituída de regras, simplesmente por ignorá-las”.

Rap, Musicalidade e Conexões

Atualmente, em turnê com seu conterrâneo Diomedes Chinaski, Cacique vê no rap uma salvação para os jovens, principalmente os que moram em periferias. Para ele, o gênero musical tem um papel educador fundamental na vida destas pessoas.

“O rap é um dos braços do Hip-Hop. Este último, talvez, seja o movimento social mais importante já provocado por um movimento cultural. Arrisco dizer que ele educa e corrige em muitos casos, principalmente a juventude periférica, salvando jovens todos os dias. Se a música é um instrumento pelo qual se transforma, o rap é sem duvidas a mais transformadora de todas elas.”

 

Ao definir a sonoridade de seus trabalhos, o músico afirma beber de diversas fontes, como a música caribenha, africana e indígena. E é esta diversidade que o torna tão rico e versátil no âmbito cultural. Mais que um cantor, poeta ou rapper, é um artista completo e mutável.

“Acho que meu trabalho não se compromete com formas e fórmulas. Eu respeitei a origem, o real e a esperança. A origem nos timbres e toques de tambores africanos e indígenas brasileiro. Busquei mostrar a referência caribenha nos timbres das guitarras e nos grooves de guitarradas, muito comum no meu Estado e região. Definiria meu som como universalmente regional, canto minha aldeia, com sons e vozes do mundo.”

Cassiano Cacique é um músico, poeta e embolador pernambucano que resgata a raiz do povo nordestino na própria trajetória de vida. Em dezembro de 2017, lançou o primeiro single e não parou mais. A mixtape de estreia, "Aprendi a Enxergar com um Cego", faz referência ao avô, o poeta cego Manuel Pedro Clemente, famoso por ser um exímio repentista e também pelos poemas "Amor de Mãe" e "Partida Saudosa".

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