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Rappers cobram empenho do governo em defesa da Cultura e da vida na periferia

Escrito por Marcelo em . Postado em Informativo

Ativistas culturais e artistas da periferia cobraram da presidenta Dilma Rousseff mais empenho na defesa da vida da juventude negra na periferia. A carta de reivindicações, que teve como signatários Mano Brown, Dexter, Sérgio Vaz, Criolo, Emicida, dentre outros, foi lida pelo rapper GOG. Esta carta foi entregue à Dilma durante a cerimônia de sanção do Estatuto da Juventude, quando a presidenta destacou que a violência contra jovens negros e pobres é um dos maiores problemas enfrentados pelo país atualmente.

Rappers cobram empenho do governo

“A violência mostra um lado da nossa sociedade com que nós não podemos conviver pacificamente. Contra esse lado da violência contra a juventude negra e pobre, temos de ter um pacto, dentro do novo estatuto, temos que construir as trincheiras para lutar contra essa questão”, afirmou a presidenta.

Na cerimônia, GOG fez suas considerações: “Pedimos a desmilitarização da polícia e o fim dos autos de resistência. No lugar de investimento em armamento e presídios, escolas e cultura. Ainda vivemos em uma ditadura, com mortes, desaparecimentos. Não queremos viver perdendo amigos, parentes, vizinhos, para polícias, milícias e traficantes”, disse.

O evento também contou com a apresentação do rapper RAPadura, “Tive uma grande honra em representar a juventude de todo brasil cantando depois do hino nacional para a presidente do nosso país, não cantando qualquer coisa, cantando a nossa luta, a nossa força, pois somos os responsáveis pela mudança desse país, fazer parte de um momento histórico como esse é algo que não dar (sic) pra descrever”, comentou o rapper em sua página no Facebook.

O poeta Sérgio Vaz, do Sarau da Cooperifa, Zona Sul de São Paulo, ressaltou que é preciso promover cultura e educação para a formação de cidadania dos jovens. “Precisamos de uma melhora da educação pública. Não adianta só criarmos profissionais dentro da escola, precisamos criar cidadãos. A cultura tem esse poder de criar cidadãos, aliada à educação. A cultura não pode ser um paliativo só para tirar a pessoa do crime, mas sim ser algo importante na formação de cidadania.”

Cobranças

GOG, ao expressar suas opiniões, colocou a questão do caso do pedreiro Amarildo de Souza, desaparecido em 14 de julho após ser levado por PMs à sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro.  “Estamos felizes com a sanção do estatuto, mas queremos mais. Queremos políticas públicas pensadas para a juventude negra e pobre deste país”, acrescentou GOG.

Estatuto

O texto passou nove anos em tramitação no Congresso e foi aprovado apenas em julho passado, como parte da agenda positiva impressa pelos parlamentares depois das manifestações dos últimos meses. Mais políticas públicas voltadas para os jovens, por meio de uma declaração de direitos da população com idade entre 15 e 29 anos e benefícios como o pagamento de meia-entrada em 40% do total de ingressos para eventos culturais, reservas de duas cadeiras gratuitas e outras duas vagas nos ônibus ao preço de meia passagem para pessoas dessa faixa etária são alguns dos pontos do Estatuto.

Fonte: Cultura Hip Hop

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