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Rappers brasileiros driblam crise da indústria fonográfica investindo em roupas e acessórios

Escrito por Marcelo em . Postado em Internacional

Cone CreW diretoriaRIO — Dr. Dre se tornou, nesta semana, o primeiro bilionário do rap. O produtor e rapper californiano, que criou uma linha exclusiva de fones de ouvido — aqueles grandões que são febre no mundo todo — anunciou esta semana a venda da sua empresa Beats Eletronics para a Apple. O valor: US$ 3,2 bilhões (R$ 7,1 bi). Não à toa, uma nova geração de rappers brasileiros, que dizem inclusive se inspirar no americano, já lucra com a própria arte sem depender exclusivamente da venda de discos. Sabendo que o universo do hip hop está diretamente ligado a um estilo bem peculiar de se vestir, eles vendem muito mais do que simples camisetas. Bonés, moletons, cordões, brincos e até meias podem ser comprados pelos fãs. O paulistano Emicida e os cariocas da ConeCrewDiretoria, por exemplo, criaram lojas virtuais que vendem uma infinidade de produtos associados aos seus trabalhos. Os preços podem ir de R$ 3, por um bottom, até R$ 145, por um casaco.

 

— Se um artista esperar gravadora para deslanchar na carreira, vai ficar esperando pra sempre. Hoje em dia as pessoas têm abertura total na internet para andar com as próprias pernas. A loja virtual ajuda muito no sustento da banda. Afinal, a gente se propõe a liberar nossos discos de graça. E a grana que ganhamos com as vendas, estamos conseguindo reinvestir na própria loja — explica Rany Money, um dos seis integrantes da ConeCrewDiretoria.

Desde a popularização do Napster, programa de compartilhamento de arquivos criado em 1999, a indústria fonográfica atravessa a sua pior crise. Quem antes comprava CDs passou a baixá-los gratuitamente. Ano após ano, as gravadoras foram perdendo protagonismo e os artistas, por sua vez, se viram obrigados a buscar novas formas de viver de música. Nada disso é novidade para quem circula pelo showbusiness. Irmão e empresário de Emicida, Evandro Fióti tem a mesma filosofia dos músicos cariocas.

— Não tem nada que substitua uma camiseta, por exemplo. O percentual de lucro desses produtos é muito maior — explica ele, que completa: — Se os artistas tiverem mais domínio sobre suas obras, eles serão mais relevantes e se posicionarão melhor dentro do mercado.

Nos shows ou na TV, os rappers costumam usar as roupas de suas lojas, dando visibilidade às marcas de forma simples. Emicida vai além e presenteia colegas de profissão com as peças. O resultado é que Caetano Veloso, Mano Brown e até o diretor americano Spike Lee já foram fotografados usando algum produto criado por ele.

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