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Série Multiplicação da Revolução: Entrevista Quadrilha Intelectual

Escrito por Marcelo em . Postado em BSB

 

01 – A primeira vez que ouvimos um grupo chamado #Q.I – Quadrilha Intelectual, ficamos minimamente curiosos. Logo questiono sobre a origem do nome, assim como do grupo, bem como a ideologia que o nome e grupo carrega.

Q.I: Por Incrível que pareça, o nome surgiu por acidente na garagem da casa do Kalango, é uma formação de quadrilha sim, pois ao invés de agir com armas de fogo ou atitudes criminosas tentamos agir com inteligência, o que vem a ser uma junção de fatores, pois inteligência não está restritamente relacionada a conhecimento acadêmico, como já escrevemos em poesia: Inteligência não esta relacionada a conhecimento acadêmico, é saber pra vida e mente aberta a todo momento, os fatores são: humildade, respeito, analisar pessoas e situações sem nenhum tipo de preconceito, mente aberta pra aceitação de qualquer tipo de critica, e acima de tudo tratar o próximo com amor, o que está faltando hoje em dia e no começo fizemos um trocadilho com o termo “quociente de Inteligência”.

O grupo originou-se primeiramente de uma grande amizade que nem sabemos quantos anos tem, ideologias não só parecidas, como 99% iguais de duas pessoas diferentes. E sobre o que o grupo e nome carrega é a missão de falar a verdade e mostrar que ainda hoje, INFELIZMENTE, problemas sócias antigos são atuais e abrir os olhos da periferia/favela/gueto que “futilidade” mudou de nome, muitos a chamam de “evolução”.

02 – Qual formação do grupo e quais principais influencias a nível de Brasil e principalmente, Distrito Federal¿

Q.I: A formação do grupo hoje é Kalango e Henrique, mas a quadrilha não para por ai, posso falar com propriedade que outras pessoas também somam direta ou indiretamente como: Markão, Glauber MC, Dj Liso e Raro, do projeto Aborígine, Jeferson, Iago e Vicente, personalidades que admiramos pessoal e profissionalmente falando. O grupo que fatalmente mais influenciou o Q. I foi o Facção Central, e outros como A 286, Realidade Cruel, GOG, A Família, Inquérito e temos escutado muito ultimamente Thiagão e os Kamikazes do gueto do Paraná. Do DF, nossas principais influências e admirações são: Aborígine, Radicalibres, Diga How, Glauber MC, Correndo Contra o Tempo, Arsenal do Gueto, Comando Periférico, Resgate, Dj Jamaika e queremos ressaltar a postura do grupo Voz Sem Medo que hoje no DF é um dos poucos que tem o  diferencial de não só fazer o show em si, mais trocar uma idéia e passar algum tipo de informação construtiva no palco e também o  Comunicação Racial e Ocorrência Criminal que assim como nós são do Recanto das Emas.

03 – O grupo acaba de lançar seu primeiro trabalho intitulado Capital da ilusão. Letra com forte conteúdo social e político. Conte-nos sobre o processo de composição e produção.

Q.I: Os méritos de produção são todos do Duckjay (Tribo da Periferia). O processo de composição foi bem lento, mais bem natural, pois analisamos temas a serem abordados, colocamos em tópicos e depois transformamos em rimas, também consultamos pontos de vista de amigos do RAP e fora dele, como Markão e Artok.

Usamos como matéria prima a realidade social das periferias de Brasília, e como é de conhecimento de todos os que tem os olhos abertos pra atual guerra não declarada entre as classes sociais, sabem que o histórico de miséria e opressão é cotidiano das periferias a nível nacional, só tendo como diferença o calibre do armamento e quantidades de drogas de uma favela pra outra.

04 – Quadrilha Intelectual já participou do Sarau Samambaia Poética e já lançaram poesias na internet. Qual proximidade e sobretudo quais avanços o grupo enxerga que a Literatura marginal vem provocando nas juventudes periféricas¿

Q.I: A proximidade é mesma que a do RAP, só que de forma mais educativa, pois até uma letra de RAP quando recitada ao invés de cantada, trás uma reflexão maior sobre o tema abordado na cabeça do ouvinte, e o avanço é justamente essa reflexão, pois em um show, de uma forma ou de outra é um pouco mais disperso que o sarau, já que no sarau há a possibilidade de fazer um debate, troca de informação e questionamentos após cada tema ou declamação, isso trás um aprendizado enorme, falamos por experiência própria a primeira vez que fomos ao Sarau Samambaia Poética, fomos como ouvintes e depois com o apoio de amigos tivemos o privilégio de participar expondo algumas poesias. Entendeu a transformação? Vamos ser ousados em falar isso, mas o show é bom e necessário, mais os saraus tem um impacto educativo maior e formação muito mais eficaz do que o próprio show.

05 – Quais experiências em Literatura Marginal conhecem ou tem como referencias do Distrito Federal¿

Q.I:  Temos em atividade o Sarau Samambaia Poética, recentemente tivemos 1º Encontro de Literatura Marginal e a Bienal do Livro, e como referências temos o GOG, Markão Aborígine e todos os manos que colam nos saraus, não iremos lembrar o nome de todos, mais estão nas ruas escrevendo não só músicas, mas bons textos e expondo nos saraus pelas quebradas.

06 – O grupo é oriundo do Recanto das Emas, periferia de Brasília. Como é ser morador, jovem e MC nesta cidade¿ Quais ações existem em prol do fortalecimento da cultura Hip Hop, e ou espaços\políticas públicas para a juventude¿

Q.I: Para nós é uma honra, pois moramos aqui desde o primeiro ou segundo ano de existência da cidade, sobre ser morador não é diferente das demais quebradas, pois o ensino é fraco, não temos o mínimo de assistência hospitalar, como por exemplo há alguns meses atrás morreu um senhor no corredor do posto de saúde que diz ser 24 horas, mas só funciona quando é pra fazer filmagem daquele propaganda ridícula do GDF falando a seguinte frase: “Ta mudando pra melhor”, e vale a pena lembrar que nosso atual governador era médico e foi omisso ao se tratar da saúde e agora devasta as periferias gastando rios de dinheiro com a copa do mundo como se antes de governador tivesse sido jogador de futebol, e sobre ser MC infelizmente somos vítimas de preconceitos, em relação ao rap por ser uma música marginalizada, e as pessoas que agem com preconceito são justamente aquelas que estão no seu coração na hora de escrever uma letra, sobre as ações em prol do HIP-HOP nós notamos um certo regresso, pois já tivemos show que para nós foram históricos na cidade e hoje não mais, tínhamos com freqüência batalha de MC e tínhamos um evento/espaço chamado “Poeirão do Rock” que dava uma enorme oportunidade e respeito aos manos do HIP-HOP.

 

07 – Daqui em diante, quais projetos o grupo tem em mente¿ O que a periferia de Brasília pode esperar do Quadrilha Intelectual¿ Artisticamente e a nível de militância, que é tão falada pelo grupo.

Q.I: Já finalizamos a produção de mais uma canção que se chama ‘Evolução’ e queremos ainda essa semana lançaremos a mesma. O Lançamento ocorrerá nesta próxima sexta feira no CineClube Câmbio Negro que será realizado no Recanto das Emas, além de disponibilização na Internet.

Queremos também finalizar outro trabalho junto com nossos amigos do Aborígine que terá o título de “Baile das Múmias”, que particularmente gostamos muito e apostamos muito no tema polêmico que esse novo trabalho vai causar, sobre militância além da arte, temos projetos como o de fazer um Sarau Recanto Poético, pois a atitude do coletivo ArtSam é muito inspiradora e acho que nossa cidade também precisa disso, e poder contar também com os manos da Samambaia e outras periferias para fortalecer e concretizar essa idéia e recentemente tivemos no encontro RECID-DF (Rede de Educação Cidadã do Distrito Federal) que para nós foi muito significativo, já que tivemos oportunidade de conhecer pessoas além do movimento HIP-HOP que também estão empenhadas em mudar a realidade atual e contar as verdadeiras histórias e não as que são contadas nos livros criados pelos opressores, logo, queremos participar mais, aprender mais, entender mais, lutar mais, fazendo jus ao o que lemos em um livro recentemente: “Onde houver opressão, sempre haverá um rebelde”, esperamos que esse “um rebelde” seja multiplicado pelo número de gotas de sangue que são derramadas nas periferias.

 

08 – Espaço aberto com agradecimentos, salve e contatos! Muito obrigado.

Q.I: Primeiramente queremos agradecer a Deus, já que ele permitiu que nós estivéssemos cedendo esta entrevista, as nossas famílias que nos dão o devido apoio.

Nosso muito obrigado eterno, pois temos como pagar o favor e esforço do Aborígine (Markão, Glauber, Dj Liso e Raro) por ter organizado essa entrevista e nos ter dado oportunidade de expor alguns pensamentos e pontos de vista, esperamos que sejam esclarecedores e compreendidos, e pelos conselhos também, ao Jeferson e Iago que desde o começo quando o Q. I era apenas uma idéia sempre incentivaram, a Sarah e Alice que sempre quando pensamos algo novo estão do nosso lado para compartilharmos, ao Artok que nos incentivou bastante, ao Rdy (Resgate) que foi através dele que conseguimos contato com o Duckjay para produzir nossa música, ao Vicente que nos deixou honrado em criar a foto da música e está nos ajudando no novo trabalho, ao Al Unser (Subversivo) que é outro mano morador/lutador/rapper do Recanto das Emas.

 

Contatos: 9314-3269 ou 8575-0600.
E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
Escute: http://soundcloud.com/kalangoqi/quadrilha-intelectual-capital.

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