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Em novo videoclipe, Nouve exalta a relação de afeto e respeito no Candomblé

Escrito por Marcelo em . Postado em BSB

Em novo videoclipe, Nouve exalta a relação de afeto e respeito no Candomblé

O rapper baiano Nouve se prepara para lançar no videoclipe de “Vou na Fé”, música em parceria com Japa System e produzida por Nave, já conhecido por trabalhos com Emicida, Rodrigo Ogi, Luccas Carlos, Criolo entre outros artistas.

O intuito do videoclipe é retratar pontos positivos do Candomblé que, na maioria das vezes, é tratado de forma depreciativa e reforçar os valores das religiões de matriz africana . Em contrapartida ao desrespeito religioso, o rapper mostra sua visão sobre ancestralidade, afeto, respeito e como essa troca de boas energias, que é denominada Àse, é importante dentro da religião.

O clipe tem roteiro e direção assinados pelo próprio Nouve e gravação e edição por Robson Borges, da produtora “Aion Imagine”. Para fazer parte do elenco, ele convidou sua Ìyálòrìsà, mãe Dialá, além de Érica Ribeiro, Telma Duarte e Cide Babá Ybí. As gravações foram realizadas em Paranapiacaba, interior de São Paulo e na capital.

“O roteiro mostra o cuidado e afeto de uma Ìyálòrìsà, Bàbálòrísá, irmão ou irmã de santo dentro de um terreiro de Candomblé. O clipe também mostra o outro lado da moeda, que é o preconceito aos adeptos da religião, em meio da cidade grande. Seja lá, numa entrevista de um emprego, ao passar pelas ruas com os seus adereços, guias, turbante entre outros. Os olhares são realmente diferentes”, explica o artista.

Um dos momentos marcantes do videoclipe é quando, em sinal de respeito, Nouve bate cabeça para mãe Dialá. O ato de bater cabeça, seja diretamente a um Òrìṣà, Bàbá ou Ìyálòrìṣà, representa uma saudação e pode ser feita por qualquer pessoa iniciada e até mesmo por um simpatizante da religião. A palavra "Foribalẹ" significa “colocar a cabeça no chão”, que se refere ao ato de prostrar-se diante das divindades e de autoridades do próprio sagrado. No Brasil, o termo é conhecido como “Dọbalẹ”, destinado aos ìyáwò que foram iniciados ao Òrìṣà cuja a essência é masculina e Yíka para os de essência feminina, no caso, as Ayabas, mas normalmente 'Dọbalẹ" é o termo mais utilizado e foi adaptado de "modo geral" aqui na diáspora. Tomar "Dọbalẹ”, ou bater cabeça, demonstra a humildade, seja do ìyáwò ou dos mais velhos, mas, principalmente, o respeito ao Òrìṣà.

Na estrada desde 2006, ele atualmente reside em São Paulo. Na Bahia, participou de alguns projetos com grande importância para a sua carreira, como o REDE SOMUS (Antiga Rede Caymmi de Música), que aconteceu nas escolas públicas de Cajazeiras, bairro Soteropolitano, e ele ajudou no mapeamento dos artistas locais. Os participantes tiveram uma música na coletânea do projeto, que foi lançada no encerramento, em 25 de novembro de 2017.

Nouve vendeu mais de 10 mil cópias do seu primeiro EP, "Respirando a Arte", por todo o Nordeste. Dividiu palco com grandes nomes do Rap Nacional, como MV Bill, Kamau, Rael entre outros. Em 2017 recebeu o convite de Emicida para cantar em sua terra natal, Salvador, na Concha Acústica, com um público de mais de 4 mil pessoas. Atualmente, trabalha no setor de desenvolvimento de produto, na Laboratório Fantasma, e já tem um single engatilhado, a música “Quero Resolver”, na linha do Zouk, misturada com o tempero baiano e promete vir com tudo!

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